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terça-feira, 23 de maio de 2017

António Zambujo - Sino da Minha Aldeia


Oh sino da minha aldeia 
Dolente na tarde calma 
Cada tua badalada 
Soa dentro da minha alma 

E é tão lento o teu soar 
Tão como triste da vida 
Que já a primeira pancada 
Tem o som de repetida 

Por mais que me tanjas perto 
Quando passo sempre errante 
És para mim como um sonho 
Soas-me na alma distante 

A cada pancada tua 
Vibrante no céu aberto 
Sinto mais longe o passado 
Sinto a saudade mais perto
Fernando Pessoa / Popular (Fado das Horas)
Oh bell of my village
Aching in the calm afternoon
Every one of you
Sounds inside my soul

And your soar is so slow
As sad as life
That already the first blow
Has the sound of repeated

As much as you tanjas closely
When I always walk errand
You are to me as a dream
You sound to me in the distant soul

With every blow of yours
Vibrant in the open sky
I feel the past farther
I miss you more closely

terça-feira, 9 de maio de 2017

Aldina Duarte - Anjo Inútil






Passou um anjo de rasto
Na selva da minha vida
O sangue dele nos cardos
Ainda hoje tem vida
Rasgou as asas na pele
De modo grave, mais além
Por esse amor que me teve
Amei-o como a ninguém!

Luís de Macedo / Popular (Fado das Horas)
A track angel passed by
In the jungle of my life
His blood on thistles
It still has life today.
Tore the wings on the skin
Seriously, beyond
For this love that you had me
I loved him like nobody else!


Cifra:

Intro.: D/A/D/A 4x

D                                  A
Passou um anjo de rasto
                                   D ... 
Na selva da minha vida

O sangue dele nos cardos
Ainda hoje tem vida
Rasgou as asas na pele
De modo grave, mais além
Por esse amor que me teve

Amei-o como a ninguém!

domingo, 30 de abril de 2017

Alfredo Marceneiro - Três Tabuletas

















De ferro três tabuletas
Todas três números seguidos
Dizem: eternas moradas
Desses três na morte unidos

Vindos do espaço sibério 
Os ventos fortes, agrestes
Açoitavam os ciprestes 
Do pequena cemitério
Envolta em denso mistério 
Mais triste que as violetas
Uma pobre em vestes pretas 
Parou junto dos covais
Que só tinham por sinais 
De ferro, três tabuletas

Interrogou o coveiro 
Se em certo dia atrasado
Ali tinha sepultado
Um famoso cavaleiro
Respondeu-lhe o triste obreiro 
Com modos desiludidos
Foram três desconhecidos 
Que eu nesse dia enterrei
E as jazigas numerei 
Todas três números seguidos

E a pobre, louca de dor 
Chorando silenciosa
É qual mater dolorosa 
Junto à cruz do redentor
Com carinho e com amor 
Olha as campas desprezadas
E às placas levantadas 
Interroga-as mudamente
Mas três chapas, somente 
Dizem: eternas moradas

Sem saber qual sepultura 
Pertence ao seu filho amado
Olhar triste e magoado 
Beija a terra negra e dura
Inundada de ternura 
Em torturantes gemidos
Com gestos por Deus ungidos 
Repartiu as flores suas
P’las campas rasas e nuas 
Desses três na morte unidos
Henrique Rêgo / Popular (Fado das Horas)
Iron three tablets
All three numbers in a row
They say: eternal dwellings
Of these three in death united

Coming from siberian space
The strong, wild winds
The cypress trees
From the small cemetery
Wrapped in dense mystery
Sadder than violets
One poor in black robes
He stopped at the covais
That they only had for signs
Of iron, three tablets

Interrogated the gravedigger
If on a late day
Ali had buried there
A famous knight
The sad laborer answered him
With disillusioned modes
There were three unknowns
That I buried that day
And the numbered jars
All three numbers in a row

And the poor, crazy in pain
Silent crying
It's a painful mater
Next to the Cross of the Redeemer
With affection and with love
Look at the despised fields
And to the raised plates
Ask them quietly
But three plates, only
They say: eternal dwellings

Without knowing which grave
Belongs to your beloved son
Sad and hurt look
Kiss the black and hard earth
Flooded with tenderness
In tormenting moans
With gestures by God anointed
He shared the flowers with her.
For the shallow and naked
Of these three in death united

terça-feira, 25 de abril de 2017

Hélder Moutinho - Um Fadista Já Cansado





Um fadista já cansado
Quando o passado lembrou
Abraçou uma guitarra
Não pôde cantar, chorou

Entrou, sentou-se e bebeu
Um copo de vinho tinto
Enquanto que no recinto
Uma guitarra gemeu
Muitas cantigas sei eu
Tudo se ouviu menos fado
E o cantador desolado
Começou por me dizer
Só tenho pena de ser
Um fadista já cansado!

Criei nome, dei nas vistas
Conquistei fama, ovações
Mas não a cantar canções
De envergonhar os fadistas
Cantei fado nas conquistas
Da boémia que passou
Sei quem fui, sei que não sou
Um cantador presumido
Disse-me ele entristecido
Quando o passado lembrou!

E prosseguiu - quando entrei
Entrei com mil ansiedades
Mas se vim matar saudades
Com mais saudades fiquei
Envelheci, mas é lei
Da fadistagem bizarra
Ter fé, ter alma, ter garra
P'ra cantar até à morte
E falando desta sorte
Abraçou uma guitarra!

E cingiu com mão amiga
Ao lado esquerdo do peito
Naquele instrumento eleito
Da fadistagem antiga
Lembrou-se duma cantiga
Que outrora o celebrizou
Mas a emoção embargou
Toda a sua voz amena
E o pobre cheio de pena
Não pôde cantar, chorou!
Compositor: Carlos Conde e Popular (Fado das Horas)
An already tired fado singer
When the past remembered
Hugged a guitar
He could not sing, he cried.

He entered, sat down, and drank
A glass of red wine
While in the enclosure
A guitar groaned
Many songs I know
Everything was heard less fado
And the desolate singer
You started by telling me
I'm just sorry to be
An already tired fado singer!

I created a name, I saw it
I gained fame, ovations
But not to sing songs
To embarrass the fadistas
I sang fado in the conquests
From bohemia that passed
I know who I was, I know I'm not
A pretentious singer
He told me sadly
When the past remembered!

And he continued - when I entered
I entered with a thousand anxieties
But, if I came, I'd miss you.
I missed you the most.
I got old, but it's law
From the bizarre fadistagem
Have faith, have soul, have claw
Can sing to death
And speaking of this luck
Hugged a guitar!

And girded with a helping hand
To the left side of the chest
In that instrument elected
From old fadistagem
Remembered a ditty
Who once celebrated it
But emotion has
All your voice is fun
And the poor man full of pity
She could not sing, she cried!
Composer: Carlos Conde and Popular (Fado das Horas)

sábado, 1 de abril de 2017

Katia Guerreiro - Fado dos olhos

A                 E                          A 
Os olhos são indiscretos, revelam tudo o que sentem 
                     E                            A 
Podem mentir os teus lábios, os olhos, esses, não mentem 
                     E                 Bm         A 
Podem mentir os teus lábios, os olhos, esses, não mentem 

A               E                       A 
Desabafa no meu peito essa amargura tão louca, 
                       E                   A 
Que é tortura nos teus olhos e riso na tua boca 
                       E            Bm     A 
Que é tortura nos teus olhos e riso na tua boca 

A                                      E 
Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou 
                                 A 
E nele achei como não sei inspiração 
      F#                           Bm 
Foi o calor de um olhar teu que me prendeu e desde então 
      E                     A 
O teu olhar é a razão desta paixão 

A                  E                     A 
Eu sei que me tens amor, bem leio em teu olhar 
                E                          A 
O amor quando é sentido, não se pode disfarçar 
                E               Bm         A 
O amor quando é sentido, não se pode disfarçar 

A                       E                        A 
Enquanto os teus lábios cantam canções feitas de luar 
                 E                       A 
Soluça, cheio de mágoa, o teu misterioso olhar 
                 E                   Bm  A 
Soluça, cheio de mágoa, o teu misterioso olhar 

A                                      E 
Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou 
                                 A 
E nele achei como não sei inspiração 
      F#                                Bm          E 
Foi o calor de um teu olhar teu que prendeu e desde então 
                            A 
O teu olhar é a razão desta paixão 

( A E A E ) 

A                                      E 
Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou 
                                 A 
E nele achei como não sei inspiração 
      F#                                Bm          E 
Foi o calor de um teu olhar teu que prendeu e desde então 
                            A       E  A 
O teu olhar é a razão desta paixão 

sexta-feira, 31 de março de 2017

Aldina Duarte - Arte Do Fado








Faz tudo parte da vida:
Amar e ficar sozinho;
Chorar e lamber a ferida,
Cegar e ver o caminho.

Dê a vida o que nos der,
Vão-se as mágoas do passado
Quando podemos dizer
A nossa vida num fado.
Maria do Rosário Pedreira / Populas (Fado das Horas)






It makes everything a part of life:
To love and be alone;
Crying and licking the wound,
Blind and see the way.

Give your life what you give us,
The hurts of the past are gone
When can we say
Our life in a fado.

segunda-feira, 20 de março de 2017

Maria Teresa de Noronha - Fado das Horas

                  C
Chorava por te não ver
                    F
Por te ver eu choro agora
                   C
Chorava por te não ver
                    F
Por te ver eu choro agora
                 C7             C               F
Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora
                 C7             C               F
Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora

                 C
Passa o tempo de corrida
                   F
Quando falas eu te escuto
                 C
Passa o tempo de corrida
                   F
Quando falas eu te escuto
                   C7         C         F
Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto
                   C7         C         F
Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto

                      C
Quando estás ao pé de mim
                 F
Sinto-me dona do Mundo
                      C
Quando estás ao pé de mim
                 F
Sinto-me dona do Mundo
                  C7        C            F
Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo
                  C7        C            F
Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo

                     C
Deixa-te estar a meu lado
                  F
E não mais te vás embora
                     C
Deixa-te estar a meu lado
                  F
E não mais te vás embora
                   C7                C        F
Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora
                   C7                C        F
Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora

( F  C7  C  F  C  F )

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Pedro Moutinho - Olhos Estranhos

Intro: F C7 F (2 vezes)

F                                      C7
Os teus olhos são dos tais
                                                   F
Que só se encontram uma vez
                                                 C7
Deus fez os teus não fez mais
                                         F
Por ver o perigo que fez
                               C7
Têm a cor do ciúme
                                              F
Tão estranhamente anilada
                                          C7
Lindos como a madrugada
                                       F
Etéreos como o perfume
                                     C7
Suaves como queixume
                                      F
Da onda que se desfez
                                 C7
Levada pelas marés
                                         F
E à praia não volta mais
                                       C7
Os teus olhos são dos tais
                                                F
Que só se encontram uma vez
                                        C7
Mas vê-los a vez primeira
                                       F
É ver a luz meiga e crua
                                 C7
Da lua quando flutua
                                     F
No azul do céu altaneira
                               C7
Da lua quando flutua
                                        F
No azul do céu altaneira
Solo: F   C7   F   (4 vezes)
F                                           C7
Teus olhos trazem cegueira
                                        F
De amor e de embriaguez
                             C7
Será por isso talvez
                                          F
Que ao sabê-los tão fatais
                                               C7
Deus fez os teus não fez mais
                                       F
Por ver o perigo que fez
                                                C7
Deus fez os teus não fez mais
                                        F   C7   F   
Por ver o perigo que fez

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