Oh sino da minha aldeia Dolente na tarde calma Cada tua badalada Soa dentro da minha alma E é tão lento o teu soar Tão como triste da vida Que já a primeira pancada Tem o som de repetida Por mais que me tanjas perto Quando passo sempre errante És para mim como um sonho Soas-me na alma distante A cada pancada tua Vibrante no céu aberto Sinto mais longe o passado Sinto a saudade mais perto Fernando Pessoa / Popular (Fado das Horas)
Passou um anjo de rasto Na selva da minha vida O sangue dele nos cardos Ainda hoje tem vida
Rasgou as asas na pele De modo grave, mais além Por esse amor que me teve Amei-o como a ninguém!
Luís de Macedo / Popular (Fado das Horas)
A track angel passed by
In the jungle of my life
His blood on thistles
It still has life today.
Tore the wings on the skin
Seriously, beyond
For this love that you had me
I loved him like nobody else!
Cifra: Intro.: D/A/D/A 4x D A Passou um anjo de rasto D ... Na selva da minha vida O sangue dele nos cardos Ainda hoje tem vida Rasgou as asas na pele De modo grave, mais além Por esse amor que me teve Amei-o como a ninguém!
De ferro três tabuletas Todas três números seguidos Dizem: eternas moradas Desses três na morte unidos Vindos do espaço sibério Os ventos fortes, agrestes Açoitavam os ciprestes Do pequena cemitério Envolta em denso mistério Mais triste que as violetas Uma pobre em vestes pretas Parou junto dos covais Que só tinham por sinais De ferro, três tabuletas Interrogou o coveiro Se em certo dia atrasado Ali tinha sepultado Um famoso cavaleiro Respondeu-lhe o triste obreiro Com modos desiludidos Foram três desconhecidos Que eu nesse dia enterrei E as jazigas numerei Todas três números seguidos E a pobre, louca de dor Chorando silenciosa É qual mater dolorosa Junto à cruz do redentor Com carinho e com amor Olha as campas desprezadas E às placas levantadas Interroga-as mudamente Mas três chapas, somente Dizem: eternas moradas Sem saber qual sepultura Pertence ao seu filho amado Olhar triste e magoado Beija a terra negra e dura Inundada de ternura Em torturantes gemidos Com gestos por Deus ungidos Repartiu as flores suas P’las campas rasas e nuas Desses três na morte unidos Henrique Rêgo / Popular (Fado das Horas)
Um fadista já cansado Quando o passado lembrou Abraçou uma guitarra Não pôde cantar, chorou Entrou, sentou-se e bebeu Um copo de vinho tinto Enquanto que no recinto Uma guitarra gemeu Muitas cantigas sei eu Tudo se ouviu menos fado E o cantador desolado Começou por me dizer Só tenho pena de ser Um fadista já cansado! Criei nome, dei nas vistas Conquistei fama, ovações Mas não a cantar canções De envergonhar os fadistas Cantei fado nas conquistas Da boémia que passou Sei quem fui, sei que não sou Um cantador presumido Disse-me ele entristecido Quando o passado lembrou! E prosseguiu - quando entrei Entrei com mil ansiedades Mas se vim matar saudades Com mais saudades fiquei Envelheci, mas é lei Da fadistagem bizarra Ter fé, ter alma, ter garra P'ra cantar até à morte E falando desta sorte Abraçou uma guitarra! E cingiu com mão amiga Ao lado esquerdo do peito Naquele instrumento eleito Da fadistagem antiga Lembrou-se duma cantiga Que outrora o celebrizou Mas a emoção embargou Toda a sua voz amena E o pobre cheio de pena Não pôde cantar, chorou! Compositor: Carlos Conde e Popular (Fado das Horas)
An already tired fado singer
When the past remembered
Hugged a guitar
He could not sing, he cried.
He entered, sat down, and drank
A glass of red wine
While in the enclosure
A guitar groaned
Many songs I know
Everything was heard less fado
And the desolate singer
You started by telling me
I'm just sorry to be
An already tired fado singer!
I created a name, I saw it
I gained fame, ovations
But not to sing songs
To embarrass the fadistas
I sang fado in the conquests
From bohemia that passed
I know who I was, I know I'm not
A pretentious singer
He told me sadly
When the past remembered!
And he continued - when I entered
I entered with a thousand anxieties
But, if I came, I'd miss you.
I missed you the most.
I got old, but it's law
From the bizarre fadistagem
Have faith, have soul, have claw
Can sing to death
And speaking of this luck
Hugged a guitar!
And girded with a helping hand
To the left side of the chest
In that instrument elected
From old fadistagem
Remembered a ditty
Who once celebrated it
But emotion has
All your voice is fun
And the poor man full of pity
She could not sing, she cried!
Composer: Carlos Conde and Popular (Fado das Horas)
A E A Os olhos são indiscretos, revelam tudo o que sentem E A Podem mentir os teus lábios, os olhos, esses, não mentem E Bm A Podem mentir os teus lábios, os olhos, esses, não mentem A E A Desabafa no meu peito essa amargura tão louca,
E A Que é tortura nos teus olhos e riso na tua boca E Bm A Que é tortura nos teus olhos e riso na tua boca A E Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou A E nele achei como não sei inspiração F# Bm Foi o calor de um olhar teu que me prendeu e desde então E A O teu olhar é a razão desta paixão A E A Eu sei que me tens amor, bem leio em teu olhar E A O amor quando é sentido, não se pode disfarçar E Bm A O amor quando é sentido, não se pode disfarçar A E A Enquanto os teus lábios cantam canções feitas de luar E A Soluça, cheio de mágoa, o teu misterioso olhar E Bm A Soluça, cheio de mágoa, o teu misterioso olhar A E Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou A E nele achei como não sei inspiração F# Bm E Foi o calor de um teu olhar teu que prendeu e desde então A O teu olhar é a razão desta paixão ( A E A E ) A E Eu quis cantar ó teu olhar que me encantou A E nele achei como não sei inspiração F# Bm E Foi o calor de um teu olhar teu que prendeu e desde então A E A O teu olhar é a razão desta paixão
Faz tudo parte da vida: Amar e ficar sozinho; Chorar e lamber a ferida, Cegar e ver o caminho. Dê a vida o que nos der, Vão-se as mágoas do passado Quando podemos dizer A nossa vida num fado. Maria do Rosário Pedreira / Populas (Fado das Horas)
C
Chorava por te não ver
F
Por te ver eu choro agora
C
Chorava por te não ver
F
Por te ver eu choro agora
C7CF
Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora
C7CF
Mas choro só por querer, querer ver-te a toda a hora
C
Passa o tempo de corrida
F
Quando falas eu te escuto
C
Passa o tempo de corrida
F
Quando falas eu te escuto
C7CF
Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto
C7CF
Nas horas da nossa vida, cada hora é um minuto
C
Quando estás ao pé de mim
F
Sinto-me dona do Mundo
C
Quando estás ao pé de mim
F
Sinto-me dona do Mundo
C7CF
Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo
C7CF
Mas o tempo é tão ruim, tem cada hora um segundo
C
Deixa-te estar a meu lado
F
E não mais te vás embora
C
Deixa-te estar a meu lado
F
E não mais te vás embora
C7CF
Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora
C7CF
Pra o meu coração, coitado, viver na vida uma hora
( FC7CFCF )
F C7 Os teus olhos são dos tais F Que só se encontram uma vez C7 Deus fez os teus não fez mais F Por ver o perigo que fez C7 Têm a cor do ciúme F Tão estranhamente anilada C7 Lindos como a madrugada F Etéreos como o perfume C7 Suaves como queixume F Da onda que se desfez C7 Levada pelas marés F E à praia não volta mais C7 Os teus olhos são dos tais F Que só se encontram uma vez C7 Mas vê-los a vez primeira F É ver a luz meiga e crua C7 Da lua quando flutua F No azul do céu altaneira C7 Da lua quando flutua F No azul do céu altaneira
Solo: F C7 F (4 vezes)
F C7 Teus olhos trazem cegueira F De amor e de embriaguez C7 Será por isso talvez F Que ao sabê-los tão fatais C7 Deus fez os teus não fez mais F Por ver o perigo que fez C7 Deus fez os teus não fez mais F C7 F Por ver o perigo que fez