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quinta-feira, 4 de maio de 2017

Ana Moura - Mouraria




Porque será que não canto
Como canta a cotovia
O meu cantar nem é pranto
É gemer duma agonia

Chora assim meu coração
Tens razão para o fazer
Matou a vida a ilusão
Que não tornas a viver

Sofrer fez-me diferente
Dizes tu e tens razão
Pois não é imponentemente
Que se tem um coração

Ando a cumprir uma pena
Mas crime não cometi
Só sei que ela me condena
A viver longe de ti
Maria Helena Bota Guerreiro / Jaime Santos (Fado Mouraria)
Why do not I sing
How the lark sings
My singing is not even crying.
It is the groaning of an agony

Cry like this my heart
You're right to do that.
Killed the illusion
That you do not live again

Suffering made me different
You say you're right.
For it is not imposingly
That you have a heart

I am serving a sentence.
But I did not commit a crime.
I only know she condemns me.
To live far from you

sábado, 29 de abril de 2017

Alfredo Marceneiro - O Leilão da Mariquinhas



Ninguém sabe dizer nada
Da famosa Mariquinhas
A casa foi leiloada
Venderam-lhe as tabuinhas

Ainda fresca e com gagé
Encontrei na Mouraria
A antiga Rosa Maria
E o Chico do Cachené
Fui-lhes falar, já se vê
E perguntei-lhes, de entrada
P'la Mariquinhas coitada?
Respondeu-me o Chico: e vê-la
Tenho querido saber dela
Ninguém sabe dizer nada

E as outras suas amigas?
A Clotilde, a Júlia, a Alda
A Inês, a Berta e Mafalda?
E as outras mais raparigas?
Aprendiam-lhe as cantigas
As mais ternas, coitadinhas
Formosas como andorinhas
Olhos e peitos em brasa
Que pena tenho da casa
Da formosa mariquinhas

Então o Chico apertado
Com perguntas, explicou-se
A vizinhança zangou-se
Fez um abaixo assinado
Diziam que havia fado
Ali até madrugada
E a pobre foi intimada
A sair, foi posta fora
E por more duma penhora
A casa foi leiloada

O Chico foi ao leilão
Arrematou a guitarra
O espelho a colcha com barra
O cofre forte e o fogão
Como não houve gambão
Porque eram coisas mesquinhas
Trouxe um par de chinelinhas
O alvará e as bambinelas
E até das próprias janelas
Venderam-lhe as tabuinhas

Linhares Barbosa / Popular (Fado Mouraria)
No one knows how to say anything.
From the famous Sissy
The house was auctioned
They sold him the tablets.

Still fresh and with gagé
I found in Mouraria
The old Rosa Maria
And Chico do Cachené
I have told you, you see
And I asked them in advance
P'la Mariquinhas poor?
Chico answered: and to see her
I have wanted to know her
No one knows how to say anything.

What about your other friends?
Clotilde, Julia, Alda
To Ines, to Berta and Mafalda?
What about the other girls?
They learned the songs
The most tender, little things
Beautiful as swallows
Burning eyes and breasts
I'm so sorry about the house.
The beautiful sissy

So the tight boy
With questions, it was explained
The neighborhood was angry
Signed below
They said that he had fado
There until dawn
And the poor woman was intimated
Leaving, was put out
And for more than one attachment
The house was auctioned

Chico went to the auction house
He hit the guitar
The quilt mirror with bar
Safe and Stove
As there was no gambão
Because they were mean things
I brought a pair of slippers
The alvará and the bambinelas
And even the windows themselves
They sold him the tablets.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Helder Moutinho - Perdi-me Nos Olhos Teus


Perdi-me nos olhos teus
Como quem perde a razão
Quando dissemos adeus
perdi o meu coração

Cai a noite e o luar
Revela-nos uma saudade
Como se toda a verdade
Descobrisse o nosso olhar

Se não sabemos sonhar
Para poder dizer adeus
Não há segredos nos céus
Nem sequer um vento agreste

Por todo o amor que me deste
Perdi-me nos olhos teus

Depois vem a solidão
Abraçar-me lentamente
Que por minha condição
Me afasta de toda a gente

É que a minha voz não mente
Quando canta o coração
E por isso deste então
Quis ficar só por momentos

Nos meus próprios pensamentos
Como quem perde a razão

Se era dia escureceu
Fez-se noite e uma tristeza
Ficou na minh’alma presa
Quando o nosso amor morreu

Depois quando amanheceu
Fui pedir por mim a Deus
Que o brilho dos olhos meus
Não se perdesse, no entanto

Perdemos todo o encanto
Quando dissemos adeus

Ainda ficámos à espera 
Que o nosso Outono morresse
E que este inverno merecesse 
Uma nova primavera

Não era tarde, não era
Era a nossa condição
Pelo qual uma razão
Se perde num desalento
Por isso nesse momento
Perdi o meu coração

Perdi-me nos olhos teus
Como quem perde a razão
Quando dissemos adeus
Perdi o meu coração
Quando dissemos adeus
Perdi o meu coração
Hélder Moutinho / Popular (Fado Mouraria)
I got lost in your eyes
As one who loses reason
When we said goodbye
I lost my heart

Night falls and the moonlight
Reveal us a longing
As if the whole truth
Discover our look

If we do not know how to dream
To be able to say goodbye
There are no secrets in the skies
Not even a wild wind

For all the love you gave me.
I lost myself in your eyes

Then comes loneliness.
Embrace me slowly
That because of my condition
It drives me away from everyone

Is that my voice does not lie
When you sing the heart
And so this time
I wanted to be alone for moments

In my own thoughts
As one who loses reason

If it was dark day
It was a night and a sadness.
It got stuck in my soul
When our love died

Then when it was morning
I went to ask God for me
May the brightness of my eyes
Do not get lost, though.

We lost all charm
When we said goodbye

We were still waiting
May our autumn die
And that this winter deserved
A new spring

It was not late, it was not
It was our condition
For which reason
Get lost in discouragement
So right now
I lost my heart

I lost myself in your eyes
As one who loses reason
When we said goodbye
I lost my heart
When we said goodbye
I lost my heart
Hélder Moutinho / Popular (Fado Mouraria)

sábado, 1 de abril de 2017

Camané - Os Dois Horizontes


Um horizonte, a saudade
Do que não há de voltar
Outro horizonte, a esperança
Dos tempos que hão de chegar


O gozo do amor, sonhado
Num olhar profundo e ardente
Tal é na hora presente
O horizonte do passado

Ou ambição de grandeza
Que no espírito calou
Desejo de amor sincero
Que o coração não gozou
Ou um viver calmo e puro
À alma convalescente
Tal é na hora presente
O horizonte do futuro


Na avidez do bem sonhado
Ao nosso espírito ardente
Nunca o presente é passado
Nunca o futuro é presente.
Machado de Assis 
Alberto Correia / Popular
Fado Solene / Mouraria
A horizon, the longing
Than there is no going back
Another horizon, hope
Of the times that will arrive


The joy of love, dreamed
In a deep and ardent look
Such is the present time.
The Horizon of the Past

Or ambition of greatness
That in the spirit died
Desire for sincere love
That the heart did not enjoy
Or a calm and pure living
To the convalescent soul
Such is the present time.
The horizon of the future


In the greed of the well-dreamed
To our burning spirit
Never is the present past
The future is never present.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Fernando Farinha - Aquarela Fadista

Fernando Farinha
Tom:A

Intro: A   E7   A   E7   A
I
A                                  E7
Meia-luz sombras bizarras
                                             A
Um tom plangente e magoado
                                    E7 
Atenção gemem guitarras
                                   A
Silêncio canta-se o fado
                                     E7
Atenção gemem guitarras
                                   A
Silêncio canta-se o fado
II
A                                     E7
Nas toscas mesas de pinho
                                    A
Xailes negros e samarras
                                    E7
Canjirões copos de vinho
                                      A
Meia-luz sombras bizarras
                                     E7
Canjirões copos de vinho
                                      A
Meia-luz sombras bizarras
III
A                           E7
A viela está dormindo
                                    A
Um sono curto e pesado
                               E7
A viela está dormindo
                                    A          
Um sono curto e pesado
                                        E7
E as guitarras vão carpindo
                                             A
Um tom plangente magoado
                                         E7
E as guitarras vão carpindo
                                           A
Um tom plangente magoado
IV
A                                   E7
Na taberna há burburinho
                                   A
E a pôr fim ás algazarras
                                E7
Alguém avisa baixinho
                                     A
Atenção gemem guitarras
                               E7
Alguém avisa baixinho
                                     A
Atenção gemem guitarras.
V
A                                    E7
E a noite mãe da desgraça
                                       A
Escurece mais um bocado
                                       E7
E a noite mãe da desgraça
                                       A
Escurece mais um bocado
                                         E7
Como a dizer a quem passa
                                    A
Silêncio canta-se o fado
                                         E7
Como a dizer a quem passa
                                    A
Silêncio canta-se o fado.
Instrumental: A    E7   A   E7   A

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