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segunda-feira, 10 de julho de 2017

Fado João Maria dos Anjos

Autor . João Maria dos Anjos
Alguns Exemplos deste Fado Tradicional:
Some Examples of this Traditional Fado:



António Zambujo - Madrugada


Há um corpo aqui deitado
num lençol de lua branca
como um rio que não corre
esse corpo abandonado
deste canto me arranca
outro canto que não morre

E vi a luz mais agreste
num fundo de madrugada
vestir-te da cor da lua
despe-te um brilho celeste
na febre de ser amada
quando amor se insinua

Não queiras dizer o nome
ao ouvido deste canto
só eu sei, e conheço
o que esconde este pronome
tu de quem fiz riso e pranto
amor que lembro, e esqueço
Nuno Júdice / João Maria dos Anjos (Fado João Maria dos Anjos)
There's a body lying here
On a white moon sheet
Like a river that does not run
This abandoned body
This corner rips me away.
Another corner that does not die

And I saw the wilder light
On a background of dawn
Dress you in the color of the moon
A light blue glow
In the fever of being loved
When love creeps in

Do not say the name
To the ear of this corner
Only I know and I know
What hides this pronoun
You of whom I laughed and cried
My love, and I forget.

domingo, 7 de maio de 2017

Ana Moura - De Quando em Vez

De quando em vez lá te entregas
nesse sim, em que te negas
ou nesse não, que me é tanto
Não te pergunto os porquês
deste amar, de quando em vez
ou talvez de vez em quando

Quase sempre de fugida
como criança escondida
nosso amor brinca com o fogo
Se queremos dizer adeus
porque dizemos meu Deus
simplesmente um até logo

E o enleio continua
à mercê de qualquer lua
que nos comanda os sentidos
E a paixão que não tem siso
deixa-nos sem pré-aviso
de corpo e alma despidos

Por teimosia, ou loucura
algemamos a ventura
do amor, em nós, reencarnando
Prefiro, como tu vês
amar-te de quando em vez
ou talvez de vez em quando
Mário Raínho / João Maria dos Anjos(Fado João Maria dos Anjos)
From time to time you deliver
In that yes, in which you deny yourself
Or not, that is so much
I do not ask you why
Of this love, from time to time
Or maybe once in a while

Almost always running away
Like a hidden child
Our love plays with fire
If we want to say goodbye
Why do we say, my God?
Simply one until soon

And the bond continues
At the mercy of any moon
That commands us the senses
And the passion that has no wisdom
Leaves us without warning
Body and soul naked

For stubbornness, or madness
We handcuff the fortune
Of love, in us, reincarnating
I prefer, as you see
Love you from time to time
Or maybe once in a while

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Fernando Maurício - O Menino Que Não Fui





Nasci talhado de fado
Cresci no tempo a correr
Sem direito de sonhar;
Não parei no meu passado
Fui menino sem saber
E condenado a cantar

Tive a noite por guarida
Deram-me o fado, por pão
Por enxerga, a fria rua
Cresci á margem da vida
Ao lado da solidão 
Coberto p'la luz da lua

Queria voltar a nascer
E sonhar um só momento 
No meu mundo pequenino
Passou o tempo a correr
Não tive idade nem tempo 
De brincar e ser menino
Mário Raínho / João Maria Dos Anjos
I was born with fado
I grew in time to run
No right to dream;
I did not stop in my past
I was a boy without knowing
And condemned to sing

I had the night by den
They gave me fado for bread.
By the way, the cold street
I grew up on the margins of life.
Beside loneliness
Covered by moonlight

I wanted to be born again
And dream a single moment
In my little world
Spent the time running
I did not have age or time
Of playing and being a boy

sábado, 1 de abril de 2017

Katia Guerreiro - Meu Principepezinho

Se o carinho que eu entrego
Fosse mais do que um segredo
Que eu tenho de guardar
Se o meu sonho descoberto
Já não fosse tão incerto
Saberia o que lhe dar

Mas vivendo esta certeza
Que sentindo a alma presa
Não poderei entender
Porque são só desencontros
Todos estes meus encontros
Que a vida vem oferecer

Ao menos tenho comigo
O sabor de um grande abrigo
Onde vivo o meu desejo
Porque esse que não é meu
Parece vindo do céu
Só para me dar um beijo

Mas não quero que o meu medo
Seja tanto este negredo
Ou que esconda o meu caminho
Que eu procuro e não encontro
Aquele que li num conto
Serás tu... principezinho?
f the affection that I give
It was more than a secret.
That I have to keep
If my dream discovered
No longer was it so uncertain
I would know what to give you

But living this certainty
Feeling the soul trapped
I can not understand
Because it's just disagreements
All of these meetings
What life comes to offer

At least I have it with me
The taste of a large shelter
Where I Live My Desire
Because the one that is not mine
It seems to come from the sky.
Just to give me a kiss

But I do not want my fear
Be this negredo both
Or hide my way.
That I seek and can not find
The one I read in a story
Will you be ... little prince?

quarta-feira, 29 de março de 2017

Aldina Duarte - A Estação das Cerejas



A Estação Das Cerejas
  
Eu hei-de ser das cerejas
Da vertigem dos cardumes
Do mistério dos pardais;
Hei-de ser o que tu sejas
Aquilo a que te resumes
As orações naturais

Eu hei-de ser vento norte
Rir-me na cara da morte
A dança do colibri
Mas hei-de ser do meu peito
Desta dor com que me deito
Só porque me dói de ti

Eu hei-de ser das cerejas
Do luar na primavera
Labirinto do prazer
Hei-de ser o que desejas
Que por ti sabes que espera
Enquanto a lua quiser

Eu hei-de nascer do nada
Como a papoila encarnada
Que nada fez por nascer
Hei-de nascer tua amada
Sem uma razão nem nada
Mas só porque tem de ser
João Monge/ João Maria dos Anjos

The Cherries Station
  
I will be of the cherries
From the vertigo of the shoals
From the mystery of the sparrows;
I will be whatever you are
What you're saving
The natural prayers

I will be North Wind
Laugh at me in the face of death.
The hummingbird dance
But I will be from my chest
Of this pain I lie down with
Just because it hurts for you

I will be of the cherries
From the moonlight in the spring
Pleasure labyrinth
I will be what you want
That for you know what to expect
As long as the moon wants

I will be born out of nowhere
Like the red poppy
Nothing that made us unborn
I will be born your beloved
Without a reason or anything
But only because it has to be

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