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domingo, 30 de abril de 2017

Fado Cravo

Autor . Alfredo Duarte Marceneiro
Alguns exemplos deste Fado:

Alfredo Marceneiro - Despedida




É sempre tristonha e ingrata
Que se torna a despedida
De quem temos amizade
Mas se a saudade nos mata
Eu quero ter muita vida
Para morrer de saudade

Dizem que a saudade fere
Que importa quem for prudente
Chora vivendo encantado
É bom que a saudade impere
Para termos no presente
Recordações do passado

É certo que se resiste
Á saudade mais austera
Que á ternura nos renega
Mas não há nada mais triste
Que andar-se uma vida á espera
Do dia que nunca chega

Só lembranças ansiedades
O meu coração contém
Tornando-me a vida assim
Por serem tantas as saudades
Eu dou saudades alguém
Para ter saudades de mim
Carlos Conde e Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)
She is always sad and ungrateful.
What becomes the farewell
Whom we have friendship with
But if homesickness kills us
I want to have a lot of life.
To die of longing

They say that longing hurts
Who cares who is wise
Crying with love
It's good that longing is imperceptible.
For terms in this
Memories of the past

It is certain that it resists
I miss you more austerely
May the tenderness deny us
But there's nothing sadder.
How to walk a life waiting
Of the day that never arrives

Just anxious memories
My heart contains
Making my life like this
Because so many misses
I miss someone
To miss me

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Aldina Duarte - Branca,Branca



À deriva pela estrada
Muito branca e embalada
Na cadência dos seus passos
Vai uma sombra cansada
Tão branca, sem dizer nada
Com um fantasma nos braços

Cheia de medo e de frio
Entrou no salão vazio
Do palácio abandonado
O grande tecto ruiu
O candelabro caiu
Em chamas, o cortinado

No palácio destruído
Ficou, no vitral partido
Uma sombra a ver-se ao espelho
E no chão enegrecido
Um fantasma adormecido
Sobre o tapete vermelho

Da terra, em volta, queimada
Nasce uma rosa encarnada
Que ao passar, o vento arranca
Pelo vento desfolhada
Desfaz-se, branca, na estrada
Branca, branca, ah! Tão branca.

Manuela de Freitas / Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)
Adrift on the road
Very white and packed
In the cadence of your steps
There's a tired shadow.
So white, without saying anything
With a ghost in his arms

Full of fear and cold
Entered the empty hall
From the abandoned palace
The big ceiling collapsed
The chandelier fell
In flames, the curtain

In the destroyed palace
Stayed in the stained glass party
A shadow to see in the mirror
And on the blackened floor
A sleeping ghost
On the red carpet

From the earth, round, burnt
A red rose is born
That when passing, the wind starts
In the bare wind
Undo, white, on the road
White, white, ah! So white.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Ana Moura - Moura Encantada

É lenda, na mouraria
Que grande riqueza havia
Por uma moura guardada
Um dia alguém perguntou-me
Se a moura que há no meu nome
É essa moura encantada

Não sei, só sei que me dou
E me esqueço de quem sou
Como num sono profundo
E nos sonhos que vou tendo
Eu adivinho e desvendo
Todos os sonhos do mundo

A minha voz, de repente
É a voz de toda a gente
De tudo o que a vida tem
Quando a noite chega ao fim
Vou à procura de mim
E não encontro ninguém

Não sei se é lenda ou se não
Se é encanto ou maldição
Que às vezes me pesa tanto
Sei que livre ou condenada
E sem pensar em mais nada
Eu fecho os olhos e canto

Serei talvez encantada
E sendo assim tudo e nada
Eu fecho os olhos e canto
Manuela de Freitas / Alfredo Duarte Marceneiro (Fado Cravo)
It is legend in the Mouraria
What great wealth there was
For a saved Moorish
One day someone asked me
If the Moorish man in my name
It's this haunted Moorish

I do not know, I only know that I get
And I forget who I am.
As in a deep sleep
And in the dreams I'm having
I guess and guess
All the dreams of the world

My voice suddenly
It is the voice of all people
Of all that life has
When the night draws to an end
I'm looking for me
And I can not find anyone.

I do not know if it's a legend or not
Whether it's charm or curse
That sometimes weighs me down so much
I know that free or doomed
And without thinking of anything else
I close my eyes and I sing

I'll be delighted
And being thus all and nothing
I close my eyes and I sing
Manuela de Freitas / Alfredo Duarte Marceneiro (Fado Cravo)

Mariza - Maldição


Que destino, ou maldição
Manda em nós, meu coração?
Um do outro assim perdido
Somos dois gritos calados
Dois fados desencontrados
Dois amantes desunidos

Por ti sofro e vou morrendo
Não te encontro, nem te entendo
Amo e odeio sem razão:
Coração... Quando te cansas
Das nossas mortas esperanças
Quando paras, coração?

Nesta luta, esta agonia
Canto e choro de alegria
Sou feliz e desgraçada
Que sina a tua, meu peito
Que nunca estás satisfeito
Que dás tudo... E não tens nada

Na gelada solidão
Que tu me dás coração
Não há vida nem há morte
É lucidez, desatino
De ler no próprio destino
Sem poder mudar-lhe a sorte...
Armando Vieira Pinto / Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)
What destiny, or curse
Send in us, my heart?
One from the other so lost
We are two silent shouts
Two mismatched fates
Two disunited lovers

For you I suffer and I die
I can not find you, I do not understand you
I love and hate without reason:
Heart ... When you get tired
From our dead hopes
When do you stop, my heart?

In this struggle, this agony
Song and cry of joy
I'm happy and miserable
What's up, my chest?
That you're never satisfied
That you give everything ... And you have nothing

In the frozen solitude
That you give me heart
There is no life nor no death
It's lucidity, folly
To read at the destination itself
Without being able to change his luck

terça-feira, 15 de novembro de 2016

João Ferreira Rosa - Triste Sorte

Música: Alfredo Marceneiro 
Letra: João Ferreira Rosa
Intérprete: João Ferreira Rosa
Intro:  Gm   D7   Gm    Cm    Gm    D7   Gm
I
                 D7             Gm  
Ando da vida à procura
             D7                     Gm
Duma noite menos escura
G7                           Cm      D7
Que traga luar do céu.
                                    Gm
Duma noite menos fria,
                 Eb                   D7
E em que não sinta a agonia
                                          Gm            Cm
Dum dia a mais que morreu.
                                  Gm
Duma noite menos fria,
                         Eb          D7
E em que não sinta a agonia
                                          Gm
Dum dia a mais que morreu.
II
Gm           D7                Gm
Vou cantando amargurado,
                 D7                 Gm
Mais um fado e outro fado
        G7                 Cm       D7
Que fale do fado meu.
                                         Gm
Meu destino assim cantado
               Eb               D7
Jamais pode ser mudado
                                    Gm       Cm
Porque do fado sou eu.
                                     Gm
Meu destino assim cantado
               Eb               D7
Jamais pode ser mudado
                                    Gm
Porque do fado sou eu.
III
Gm     D7                  Gm
Ser fadista é triste sorte,
                D7                       Gm
Que nos faz pensar na morte
      G7                                 Cm             D7
Em tudo o que em nós morreu.
                                  Gm
Andar na vida à procura
             Eb                    D7
Duma noite menos escura
                                 Gm          Cm
Que traga luar do céu.
                                   Gm
Andar na vida à procura
                        Eb         D7
Duma noite menos escura
                                 Gm      D7        Gm
Que traga luar do céu.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Alfredo Marceneiro - A Viela

















Fui de viela em viela
Numa delas, dei com ela
E quedei-me enfeitiçado
Sob a luz dum candeeiro
Estava ali o fado inteiro
Pois toda ela era fado

Arvorei um ar gingão
Um certo ar fadistão
Que qualquer homem assume
E confesso que aguardei
Quando por ela passei
O convite do costume

Em vez disso, no entanto
No seu rosto só vi pranto
Só vi desgosto e descrença
Fui-me embora amargurado
Era fado, mas o fado
Não é sempre o que se pensa

Ainda recordo agora
A visão, que ao ir-me embora
Guardei da mulher perdida
A pena que me desgarra
Só me lembra uma guitarra
A chorar penas da vida
Guilherme Pereira da Rosa / Alfredo Marceneiro (Fado Cravo)


I went from alley to alley
In one of them, I gave her
And I was bewitched
Under the light of a lamp
The whole fate was there
For she was all fado

I fucked up
A certain air
That any man assumes
And I confess that I waited
When I passed through it
The Custom Invitation

Instead, however
I only saw tears on his face
I only saw disgust and disbelief
I went away bitter
It was fado, but fado
It's not always what you think

I still remember now
The sight, that when you leave me
I kept the lost woman
The pity that tears me
Just reminds me of a guitar.
The tears of life



Cifra:

Intro:  Dm  Dm/F  G#dim   Am  Am/C   E7   Cdim   E7    Am
Am       E7/B     Am   Am/C
Fui de viela em viela
           E7                    Am    C#dim
Numa delas, dei com ela
          A7                Dm        E7                                 
E quedei-me enfeitiçado…
          Fdim E7        Am           
Sob a luz dum candeeiro,
                              E7         
S’tava ali o fado inteiro,
                             Am            
Pois toda ela era fado.
Am          E7/B        Am                                    
     Arvorei um ar gingão,
       Am/C E7/B    Am                        
Um certo ar fadistão
C#dim            A7           Dm         E7                                            
Que qualquer homem assume.
              Fdim  E7           Am                                  
Pois confesso que aguardei
                   Am/C      E7                      
Quando por ela passei
                          Am        Dm               
O convite do costume.
              Dm/F                Am                                  
Pois confesso que aguardei
                   Am/C      E7                      
Quando por ela passei
                          Am        
O convite do costume.
Am        Am/C E7    Am                                          
Em vez disso no entanto,
              E7            Am          C#dim                               
No seu rosto só vi pranto,
                 A7             Dm          E7                               
Só vi desgosto e descrença.
             Fdim                Am             
Fui-me embora amargurado
                           E7            
Era fado, mas o fado,
                                       Am                        
Não é sempre o que se pensa.
Am/C    E7/B     Am                                          
Ainda recordo agora
Am/C     E7                    Am         C#dim                                                 
A visão, que ao ir-me embora
                    A7           Dm         E7                           
Guardei da mulher perdida.
      Fdim  E7             Am                                    
Na pena que me desgarra
                         Am/C       E7                        
Só me lembra uma guitarra
                               Am          Dm               
A chorar penas da vida.
                E7/B           Am                                    
Na pena que me desgarra
                                   E7                        
Só me lembra uma guitarra
                               Am     E7         Am            
A chorar penas da vida.

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