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segunda-feira, 10 de abril de 2017

Pedro Moutinho - Contemplo O Que Não Vejo




Contemplo o que não vejo.
É tarde, é quase escuro.
Quanto em mim desejo
Está parado ante o muro.

Por cima o céu é grande;
Sinto árvores além;
Embora o vento abrande,
Há folhas em vaivém.
Tudo é do outro lado,
No que há e no que penso.
Nem há ramo agitado
Que o céu não seja imenso.

Confunde-se o que existe
Com o que durmo e sou.
Não sinto, não sou triste.
Mas triste é o que estou.
Fernando Pessoa/Armando Augusto Freire(Fado Alexandrino)



I contemplate what I do not see.
It's late, it's almost dark.
How much I desire
He stands before the wall.

Heaven above is great;
I feel trees beyond;
Although the wind slows down,
There are shuttle pages.
Everything is on the other side,
What there is and what I think.
There is neither agitated branch
May the sky not be immense.

It confuses what exists
With what I sleep and am.
I do not feel, I'm not sad.
But sad is what I am.

Pedro Moutinho - Lisboa Mora Aqui




Lisboa mora aqui /
Na rua do meu fado
Nos becos do meu peito /
Arma paredes meias
Lisboa mora aqui /
Poema consumado
E seu rio prefeito /
Pulsa nas minhas veias

Lisboa mora aqui
E as portas da cidade
Abrem-se á voz que sou
Com a chave duma rima;
Lisboa mora aqui
E sente-se á vontade
Nos versos que lhe dou
Que mais nos aproxima

Lisboa mora aqui /
Canta em desassossego
Com lábios de cetim /
Da cor do coração
Lisboa mora aqui /
Na alma em aconchego
Lisboa mora em mim /
Ninguém me diga que não
Mário Raínho / Martinho D'assunção (Fado Alexandrino)
Lisbon lives here /
In the street of my fado
In the alleyways of my chest /
Weapon walls stockings
Lisbon lives here /
Consummate poem
And its river mayor /
Pound in my veins

Lisbon lives here
And the city gates
Open to the voice that I am
With the key of a rhyme;
Lisbon lives here
And feel at ease
In the verses I give you
What else brings us closer

Lisbon lives here /
Sing in unrest
With satin lips /
The color of the heart
Lisbon lives here /
In the soul in warmth
Lisboa Lives in:
No one tell me no

sexta-feira, 31 de março de 2017

Aldina Duarte - A Maçã De Adão

Não são palavras vãs,
A carta que te deixo
Dizendo que me vou,

Pra nunca mais voltar
Ao morderes a maçã,

Tu perdeste o meu beijo
Já abraços não dou,

A carta há de chegar

Nem vou esperar por ti, 

As malas estão à porta
Só me resta ir embora, 

A história chega ao fim
Se esqueceres que existi, 

Não julgues que me importa
O homem que és agora, 

Já não presta para mim

São tudo coisas minhas, 

Aquelas que hoje levo --
As mágoas e as penas 

Não tas posso deixar.
Entre as ervas daninhas, 

Se encontrares o meu trevo,
Tem três folhas apenas 

E só me deu azar.
Maria do Rosário Pedreira / Joaquim Campos (Fado Alexandrino Joaquim Campos)
They are not empty words,
The letter that I leave you
Saying that I'm leaving,
Never to return
When you bite the apple,
You lost my kiss
Already hugs do not give,
The letter will arrive

I will not wait for you,
The bags are at the door
I can only go,
The story comes to an end
If you forget that I existed,
Do not judge me that I care
The man you are now,
It's no good for me anymore.

It's all my stuff,
Those I take today -
Sorrows and sorrows
No, I can not.
Among the weeds,
If you find my clover,
It has three sheets only
And it just gave me bad luck.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Camané - A minha Rua






Camané  
A Minha Rua
Intro:  B7   Em   A7   D
                                        
D
Mudou muito a minha rua
A7                                         
Quando o outono chegou
      Em                    A7                
Deixou de se ver a lua
D                                         C7
Todo o trânsito parou
B7                                                
Muitas portas estão fechadas
          Em                               
Já ninguém entra por elas
A7                                           
Não há roupas penduradas
         D                                   
Nem há cravos nas janelas
D
Não há marujos na esquina
A7
De manhã não há mercado
      Em                    A7   
Nunca mais vi a varina
D                                       C7
A namorar o soldado
B7   
O padeiro foi-se embora
                Em                               
Foi-se embora o professor
A7                                         
Na rua só passa agora
      D                                   
O abade e o doutor
D
O homem do realejo
A7         
Nunca mais por lá passou
    Em                    A7   
O Tejo já não o vejo
D                                           C7
Um grande prédio o tapou
B7                                
O relógio da estação
Em                
Marca as horas em atraso
       A7                            
E o menino do pião
        D
Anda a brincar ao acaso
   D
A livraria fechou
     A7 
A tasca tem outro dono
    Em                A7   
A minha rua mudou
D                                             C7
Quando chegou o outono
B7
Há quem diga “ainda bem”,
      Em
Está muito mais sossegada
        A7
Não se vê quase ninguém
       D                                    C7
E não se ouve quase nada
      B7
Eu vou-lhes dando razão
     Em
Que lhes faça bom proveito
       A7
E só espero pelo verão
        D                                        A7       D
P´ra pôr a rua a meu jeito

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