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terça-feira, 25 de abril de 2017

António Zambujo - A Casa Fechada



Aquela casa fechada
não tem vasos na entrada
nem se vê luz de uma vela
dizem que a casa está morta
já ninguém lhe bate à porta
nem se assoma na janela

Às vezes passam rapazes
para mostrar que são capazes
jogam pedras ao telhado
esse lar que ninguém quer
já foi de homem e mulher
antes de ser condenado

Aquela casa fechada
onde o sol tinha a morada
e entrava sem bater
já foi estimada por ti
noutros tempos que eu vivi
e não consigo esquecer

No dia em que tu partiste
a casa ficou tão triste
desde aí que não a vejo
fechei a porta da escada
fiz uma cruz na entrada
e mandei a chave ao Tejo.
João Monge / José Marques (Fado Triplicado)
That closed house
There are no vases at the entrance
You do not even see the light of a candle
Say the house is dead
Nobody knocks on the door anymore
Nor does it appear in the window

Sometimes guys go by
To show that they are capable
Throw rocks to the roof
This home that nobody wants
It was once a man and a woman.
Before being convicted

That closed house
Where the sun had the address
And entered without knocking
Already estimated by you
In other times that I lived
And I can not forget

The day you left
The house got so sad
Since then I have not seen her
I closed the stair door
I made a cross at the entrance
And I sent the key to the Tagus.
João Monge / José Marques (Fado Triplicado)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Camané - Por Um Acaso (SIm)


Entendi que era verdade 
Toda aquela claridade 
A entrar pela janela 
Vi teus olhos a brilhar 
Duma cor que vem do mar 
E de todas a mais bela 


Foi o encanto desse olhar 
Que me fez acreditar 
Na repentina verdade 
Corri para porta da rua 
E a vontade nua e crua 
Era agora realidade


Eu por ti então tirei 
As cortinas que fechei 
Noutro tempo que vivi 
Entre crenças nublosas 
Tuas súplicas teimosas 
Me juntaram mais a ti


Lembro esse dia distante 
Em que só por um instante 
Esqueci a cortina aberta 
Afinal um esquecimento 
Revelou num só momento 
Toda a luz da descoberta

Aldina Duarte - Princesa Prometida


Há um véu no meu olhar
Que a brilhar dá que pensar
Nos mistérios da beleza
Espelho meu que aconteceu
Do que é teu e do que é meu
Já não temos a certeza
A moldura deste espelho
Espelho feito de oiro velho
Tem os traços de uma flor
Muitas vezes foi partido
Prometido e proibido
Aos encantos do amor
Espelho meu diz a verdade
Da idade da saudade
À mulher envelhecida
Segue em frente na memória
Mata a glória dessa história
Da princesa prometida

Aldina Duarte / José Marques (Fado Triplicado)
There is a veil in my eyes
That to shine gives to think
In the Mysteries of Beauty
Mirror, what happened
What is yours and what is mine
We are not sure anymore
The frame of this mirror
Mirror made of old gold
It has the traces of a flower
It was often broken
Promised and forbidden
To the charms of love
My mirror tells the truth
From the age of longing
To the aged woman
Go ahead in memory
Kill the glory of this story
From the promised princess

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