Aquela casa fechada não tem vasos na entrada nem se vê luz de uma vela dizem que a casa está morta já ninguém lhe bate à porta nem se assoma na janela Às vezes passam rapazes para mostrar que são capazes jogam pedras ao telhado esse lar que ninguém quer já foi de homem e mulher antes de ser condenado Aquela casa fechada onde o sol tinha a morada e entrava sem bater já foi estimada por ti noutros tempos que eu vivi e não consigo esquecer No dia em que tu partiste a casa ficou tão triste desde aí que não a vejo fechei a porta da escada fiz uma cruz na entrada e mandei a chave ao Tejo. João Monge / José Marques (Fado Triplicado)
Entendi que era verdade Toda aquela claridade A entrar pela janela Vi teus olhos a brilhar Duma cor que vem do mar
E de todas a mais bela Foi o encanto desse olhar Que me fez acreditar Na repentina verdade Corri para porta da rua E a vontade nua e crua Era agora realidade Eu por ti então tirei As cortinas que fechei Noutro tempo que vivi Entre crenças nublosas Tuas súplicas teimosas Me juntaram mais a ti Lembro esse dia distante Em que só por um instante Esqueci a cortina aberta Afinal um esquecimento Revelou num só momento Toda a luz da descoberta
Há um véu no meu olhar Que a brilhar dá que pensar Nos mistérios da beleza Espelho meu que aconteceu Do que é teu e do que é meu Já não temos a certeza
A moldura deste espelho Espelho feito de oiro velho Tem os traços de uma flor Muitas vezes foi partido Prometido e proibido Aos encantos do amor
Espelho meu diz a verdade Da idade da saudade À mulher envelhecida Segue em frente na memória Mata a glória dessa história Da princesa prometida Aldina Duarte / José Marques (Fado Triplicado)